Ground Station as a Service (GSaaS): democratizando o acesso aos satélites.

By Jessica Fontes

setembro 3, 2021
Ground Station as a Service (GSaaS)

Ground Station as a Service (GSaaS), ou Estação Terrestre como Serviço, é um conceito novo nos moldes ”AaS” (as a service).

Consiste em uma estação terrestre de satélite virtualizada em sua própria rede (virtual), com um modelo de pagamento por minuto de uso.

Ao pensar sobre o espaço, a maioria das pessoas pensa primeiro em satélites ou foguetes, mas muito raramente no segmento terrestre.

Para se comunicar com os satélites, estações terrestres são necessárias. Elas são localizadas em várias partes do mundo, e constituídas por uma ou mais antenas, que permitem tal contato às operadoras.

O modelo “aaS” oferece vários benefícios aos clientes, ajudando a minimizar o investimento inicial, evitando custos de operação, manutenção e outros custos de propriedade.

É possível transformar então despesas de capital em despesas operacionais.

É por isso que muitas empresas estão adotando este novo serviço!

Saiba a seguir o que é e como funciona, seus benefícios assim como seus principais provedores e potenciais compradores.

O que é GSaaS?

Antes mesmo de definir o Ground Station as a Service (GSaaS), cabe explicar um pouco sobre seu precursor.

As estações terrestres, ou ”ground services” (GS), são essencialmente antenas que trocam ondas eletromagnéticas com satélites ou outros sistemas em órbita.

Elas também podem incorporar equipamentos para armazenar, gerenciar, processar e entregar dados aos usuários finais ou proprietários de satélites, conforme necessário.

Para preencher a lacuna entre a oferta e a procura, novos tipos de GS entraram no mercado, com o objetivo de oferecer aos operadores de satélite uma forma simples, elástica e econômica de comunicar com o seu satélite: nasceu o Ground Station as a Service (GSaaS).

Emprestando conceitos e métodos de  infraestrutura como serviço (IaaS) e computação em nuvem, o GSaaS abstrai a infraestrutura GS de estações terrestres voltadas para suporte de satélites em órbita.

Para isso, mutualiza tal infraestrutura GS, contando com uma única rede de estações terrestres para permitir aos operadores de satélite comunicarem com os seus satélites.

O Ground Station as a Service (GSaaS), entretanto, não é o primeiro conceito de compartilhamento de antenas.

Na verdade, os fornecedores de GS (por exemplo, SSC, KSAT) já estavam explorando o ‘espaço em branco’ (ou seja, capacidade sobressalente) de estações terrestres já há décadas, permitindo que vários clientes usassem a mesma antena.

Contudo, embora o conceito de GSaaS implique serviços semelhantes aos que os operadores históricos costumavam fornecer no passado, o GSaaS se distingue por oferecer maior flexibilidade, economia e simplicidade:

Veja a seguir os principais motivos de utilizar esse serviço inovador!

Por que usar Ground Station as a Service e quais os benefícios?

O principal benefício de uma rede de estação terrestre é sua cobertura.

Uma estação espalhada pelo mundo (especialmente nos pólos) permitirá que as operadoras se comuniquem com satélites e acessem dados baseados no espaço com muito mais frequência, para que os clientes possam ser melhor atendidos.

No entanto, construir sua própria rede de estações terrestres pode ser extremamente caro e envolve não apenas desafios financeiros, mas também uma infinidade de obstáculos regulatórios.

Isso porque, cada país pode ter regras diferentes sobre a operação de estações terrestres em seu território.

Como aliviar então este impasse econômico e burocrático?

É ai que entra em cena o modelo de entrega Ground Station as a Service!

Com um serviço totalmente gerenciado, não é preciso construir ou manter antenas, podendo assim focar tempo e recursos onde realmente importa, qualquer que seja o trabalho ou pesquisa a ser desenvolvida!

1. Flexibilidade!

GSaaS é uma solução adequada tanto para operadoras de satélite que já possuem estações terrestres (em busca de solução complementar para atendimento pontual ou backup), quanto para as que não possuem (busca de uma solução confiável para garantir o contato via satélite).

Sendo assim, essa flexibilidade proporciona serviços GS de acordo com as necessidades da operadora de satélite, fornecendo contatos sob demanda, mas também reservados.

Além disso, é possível aumentar ou diminuir a capacidade de uso do serviço a qualquer hora, de acordo com a necessidade, não se prendendo a contratos longos ou mesmo multas de recisão.

2. Custo-benefício!

O GSaaS permite que as operadoras de satélite mudem seu Capital Expenditure (CAPEX) para Operational Expenditure (OPEX), permitindo que não invistam antecipadamente em um segmento terrestre totalmente dedicado.

Em vez disso, elas podem escolher o esquema de pagamento que melhor se adapta às suas necessidades, optando pelo pagamento conforme o uso típico do modelo as a service (aaS), ou assinando mensalmente / anualmente.

3. Simplicidade

A interface e a API são projetadas para serem fáceis de usar, de modo a permitir que todos os tipos de operadoras de satélite (por exemplo, universidades, públicas e privadas) tenham controle sobre seus satélites.

A API permite que os operadores de satélite interajam com a rede da estação terrestre, determinem seus parâmetros e restrições de satélite, recuperem o cronograma de operações, bem como todos os dados coletados.

4. Escalabilidade

O Ground Station as a Service configura-se, como já dito anteriormente, como um serviço sob demanda. Tal característica confere a ele alto grau de escalabilidade, pois é possível pagar e obter mais capacidade de uso quase que instantaneamente!

A possibilidade de escalar rapidamente um negócio, sem depender de muita burocracia ou contratos complexos é um fator chave para uma boa lucratividade em qualquer segmento.

Provedores e potenciais compradores

Agora que você já viu o conceito e as vantagens de se ter uma empresa utilizando o Ground Station as a Service, conheça os dois principais players desse mercado emergente:

  • AWS Ground Station (Amazon)
  • Azure Orbital (Microsoft)

A respeito dos compradores, empresas que operam dados em satélites, como agências espaciais, redes de televisão, governos e até mesmo universidades são os principais geradores de demanda para o Ground Station as a Service.

Ambos têm em comum:

Suas arquiteturas são muito semelhantes e são habilitadas pelo uso de tecnologias de Rádio Definido por Software (SDR) para o transporte de sinais de radiofrequência sobre IP.

Neste serviço, o satélite do cliente se conecta a um sistema de antena integrado em nuvens AWS ou Microsoft.

O subsistema da estação terrestre de propriedade do provedor de nuvem inclui a antena, rastreamento de satélite, programação, controle de antena e os sistemas digitalizador / rádio.

A estação terrestre é então virtualmente conectada à nuvem do cliente (VPC no AWS e VNF no Azure).

  • AWS Ground Station
  • No caso da AWS, de acordo com Jeff Barr, evangelista de soluções da empresa, “Em vez de construir sua própria estação terrestre ou entrar em um contrato de longo prazo, você pode usar a Estação Terrestre da AWS conforme necessário, conforme o uso”.

    Segundo a Amazon, é possível ainda economizar até 80% com gastos utilizando seu Ground Station as a Service em detrimento de provedores tradicionais, além de integrar aplicativos e outros serviços de nuvem oferecidos por ela.

    Pontos fortes:

    1. Downloads rápidos de dados;
    2. Segurança sem custos adicionais;
    3. Pay-as-you-go;
    4. Agendamento de contatos por satélite por conta própria;
    5. Processamento de dados imediato;
    6. Rede global de antenas e entrega de dados entre regiões.

  • Azure Orbital
  • A Microsoft preza pela computação, armazenamento, IA e análise de dados para processamento rápido de dados em sua solução Ground Station as a Service, além de parcerias com líderes do setor GS, como a KSAT por exemplo.

    Outro forte da empresa é a segurança e conformidade. Mais de 1 bilhão de dólares é investido anualmente em pesquisa e desenvolvimento de segurança cibernética, além de possuir mais certificações de conformidade que qualquer outro provedor.

    Pontos fortes:

    1. Cobertura global;
    2. Conversão despesas de capital em despesas operacionais;
    3. Licenciamento (integração de satélites em sites e órgãos regulatórios);
    4. Eficiência operacional e escalabilidade;
    5. Acesso direto à rede e às regiões do Azure;
    6. Nuvem e Marketplace do Azure;
    7. Flexibilidade e RF digitalizado;
    8. Pay-as-you-go.

    0 comentários

    Mais artigos

    Data Fabric: dados prontos para as empresas

    Data Fabric: dados prontos para as empresas

    Os dados se tornaram ferramentas muito importantes na era da informação. Na prática, as empresas querem acessar dados para obter ideias e disponibilizá-los de forma rápida. Entretanto, muitos negócios não criaram uma estratégia realmente eficiente de gerenciamento de...